Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu;
e o principado está sobre seus ombros; e o seu nome será Maravilho Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Isaías 9:6).
Hoje é vespera de Natal, imagino Maria e José caminhando pelas ruas de Belém em busca de um abrigo para acomodarem-se. Ela devia estar cansada da longa viagem que fizera com José, e já bem perto de dar a Luz àquele que é o rendentor da humanidade. Ele preocupado, pois sua esposa precisava de um lugar para pousar, de cuidados e ajuda para que a criança viesse ao mundo em segurança e conforto.
Penso neles visitando cada estalagem da região, todas lotadas, todas sem um lugar qualquer para aquela família. Em umas das estalagens eles conseguiram um lugar, não era o lugar ideal, mas ao menos teriam abrigo durante a noite, era uma estribaria, um lugar onde ficavam os animais. Nesta estribaria Maria concebeu Jesus, o Emanuel. Ele, que tem sobre os seus ombros o principado, nasceu de maneira humilde, foi enrolado em panos e deitado em uma manjedoura (Lucas 2:7).
Mas, seu nascimento não passou despercebido, nos campos pastores ouviram os céus em festa, anjos cantavam "Glória a Deus nas alturas, paz na terra e aos homens boa vontade" (Lucas 2:14), e souberam que na cidade de Davi havia lhes nascido o salvador; uma estrela brilhou mais forte no céu e trouxe até Ele reis, que vindos do oriente, honraram-no, oferencendo-lhe ouro, mira e incenso.
Conhecendo toda essa história e sua continuidade, me sinto um tanto melancólico no natal, pois ao olhar ao redor vejo que seu sentido foi corrompido e ignorado. Feliz Natal tem haver com presentes caros e um hedonismo absurdamente assustador. "Ruas lotadas de corações vazios"1 mostram pessoas que se esbarram, mas não se vêem, não se sentem. Volto ao início da história, Maria e José ainda procuram pelas ruas um lugar para pousar, ainda sofrem com os esbarrões e desprezo alheio. O Menino Deus ainda precisa de um lugar para nascer, um lugar seguro e aconchegante. Me pergunto quantos chegaram a esse ponto do texto, quantos pararam para refletir um pouco nesses nossos dias tão corridos, quantos quiseram dar um pouco de atenção ao sentido primevo do Natal Cristão.
Ele é Deus, mas quer nascer em nós como uma criança. Quer crescer em nosso cotidiano e nos fazer amá-lo, como ele nos ama. Eis que Ele busca um lugar para nascer. Há em seu lar e em seu coração um cantinho aconchegante para recebê-lo?
Feliz Natal, e que Deus Conosco possa nascer e ser bem vindo em nosso meio.
